Capítulo 17: O Grande Perigo

Nos últimos vinte anos, o conceito de CAPITAL DE ESTADO se difundiu por todos os países da América Latina.

Se observarmos com muita atenção, podemos verificar essa tendência perniciosa do Estado de assumir o controle de todas as empresas que geram rendimentos lucrativos.

Esse capital estatal é, na verdade, o que podemos chamar francamente de supercapitalismo de estado.

É incongruente que todos esses governos latino-americanos se declarem em guerra contra o marxismo-leninismo e, por outro lado, estejam criando um supercapitalismo de Estado.

Sem dúvida alguma, podemos afirmar enfaticamente que criar um supercapitalismo estatal equivale a preparar o terreno para o comunismo.

Os regimes socialistas soviéticos baseiam-se precisamente no supercapitalismo de Estado.

Sob o pretexto de planejar inteligentemente a economia nacional, o Estado moderno está gradualmente assumindo o controle de todas as empresas. Os reacionários se recusam a entender que planejar livremente a economia nacional é uma coisa, e exercer controle econômico e político totalitário é outra bem diferente.

O supercapitalismo controlado pelo Estado e o marxismo-leninismo são a mesma coisa. É absurdo rejeitar o termo marxismo e estabelecer o supercapitalismo controlado pelo Estado.

À primeira vista, o supercapitalismo de estado parece fascinante, especialmente quando se fala da nacionalização do petróleo, da nacionalização da companhia de energia elétrica, da nacionalização das ferrovias, etc., etc.

Não podemos negar que a nacionalização de certas empresas estrangeiras seja vital para a nação, mas a questão séria não é o uso, mas o abuso; quando o estado abusa de seus poderes, quando assume o controle de todas as empresas, prepara o terreno para o marxismo-leninismo.

É absurdo destruir a liberdade comercial, industrial e agrícola. É crime confiscar as terras cultivadas dos agricultores, seus ranchos, etc., sob o pretexto de criar áreas florestais, campos esportivos, etc., etc., etc.

É criminoso confiscar as indústrias produtivas do povo sob o pretexto de organização, porque o que se consegue é desorganizar e matar de fome o povo.

É estúpido apropriar-se das linhas de negócio mais produtivas sob o pretexto de planejamento, controle, etc.

O supercapitalismo controlado pelo estado destrói a iniciativa individual livre, a base fundamental da democracia.

Quando o Estado assume o controle das empresas nacionais, o país estagna em seu processo, porque, em vez de criar novas empresas, enormes somas de dinheiro são investidas para sustentar as existentes.

Os monopólios estatais fecham as portas à livre concorrência e à livre iniciativa, com o problema adicional de prejuízos e atrasos, uma vez que, sem livre concorrência, é possível prestar um serviço deficiente ou oferecer produtos de baixa qualidade.

Na prática, pudemos verificar que qualquer empresa administrada pelo governo se torna estéril e burocrática.

Em empresas controladas e administradas pelo governo, não há espaço para a criatividade individual por parte do indivíduo que se sente responsável. Em vez disso, existe apenas a pessoa bem relacionada, o político astuto que muitas vezes acaba em um cargo que não entende, um cargo que não lhe interessa porque a única coisa que importa para ele é o dinheiro.

Esse tipo de pessoa é tão abundante quanto ervas daninhas e pode permanecer em um emprego por um mês ou um ano; são parasitas sociais, pessoas que consomem muito, mas não produzem nada.

Não existem sanções para monopólios estatais. Quem pode sancionar o governo?

Mesmo quando o serviço prestado por empresas estatais é péssimo, as pessoas não têm outra opção senão suportá-lo pacientemente, porque o governo está no comando.

Não há punição para os abusos cometidos por empresas estatais e, como é óbvio, os funcionários públicos tornam-se cínicos.

Os serviços de empresas estatais tornam-se caros devido a concessões políticas e conveniência, e o povo, os pobres, os que tanto sofrem e os enganados, acabam pagando o preço, tornando-se as vítimas.

O supercapitalismo de estado acaba com a liberdade individual e a livre iniciativa.

O supercapitalismo de estado é um triunfo marxista, uma quinta coluna comunista infiltrada em países democráticos.

Nos Estados Unidos da América, os socialistas de Harvard ou fabianos trabalham pela revolução pacífica do marxismo-leninismo, lutam pelo aumento de impostos, educação obrigatória em escolas de cunho marxista-socialista, confisco de terras, centralização das empresas e do crédito nas mãos do estado como senhor absoluto, etc., etc., etc.

O marxismo, com sua quinta coluna, está ganhando terreno em todos os países da América Latina.

Todo o crédito estrangeiro está sendo canalizado para empresas estatais; as instituições de crédito estão sendo cada vez mais forçadas a alocar seus fundos para essas empresas.

Em toda parte se vê essa tendência de concentrar todo o poder econômico da Nação nas mãos do estado, ou seja, marxismo-leninismo, revolução marxista.

É óbvio que uma política tão abominável exige um aumento tremendo de impostos para sustentar todo o aparato burocrático e todos os compromissos nacionais e externos.

Os prejuízos sofridos por essas empresas estatais são sempre cobertos com dinheiro do contribuinte.

Atualmente, há fome, muita fome. Os capitalistas temem investir em novos negócios porque o Estado se tornou um inimigo da livre iniciativa e, onde quer que encontre uma empresa com lucros expressivos, há confisco ou, na melhor das hipóteses, a venda forçada do negócio para o estado Deus.

É muito grave que a América Latina esteja atualmente vivendo um estágio de estruturação marxista.

O inimigo secreto que se esconde por trás de todos os governos e sabe manipular os governantes com astúcia arquitetou todo esse plano maquiavélico. Já está previsto que, uma vez enfraquecidos todos os setores sociais que poderiam se opor a eles — religião, capital rural, capital urbano, etc. —, a revolução armada ocorrerá para pôr fim a toda a ordem democrata-cristã e estabelecer uma nova ordem marxista-leninista-soviética.

Parece incrível que os mesmos governos Latino-americanos que se manifestaram contra o comunismo sejam precisamente os veículos dóceis da quinta coluna marxista.

O comunismo soviético, marxismo internacional, é o inimigo secreto que se esconde astutamente por trás dos governos nacionais. A América Latina está em perigo. Estamos à beira de uma grande catástrofe.

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